Como funciona credit as a service para originar crédito

Como funciona credit as a service para originar crédito

Principais lições deste artigo

  • Credit as a service permite que uma empresa ofereça produtos de crédito ao cliente final usando a infraestrutura tecnológica, operacional e regulatória de um parceiro especializado, sem construir motor de crédito próprio, licença ou veículo de funding do zero.

  • A jornada de originação via CaaS segue etapas interconectadas, da captura do cliente à análise de risco, decisão, formalização, funding, desembolso e cobrança.

  • Os modelos de CaaS se organizam em três formatos principais: infrastructure, lending e full-stack, que variam conforme o grau de responsabilidade assumido pela plataforma.

  • No Brasil, a formalização de operações de crédito com instrumentos como a CCB ou a Nota Comercial exige licença SCD ou SEP autorizada pelo Banco Central.

  • A plataforma de CaaS não entra com o funding. O capital vem do cliente, de uma gestora ou de um veículo de investimento como FIDC, securitizadora, capital próprio ou banco parceiro.

  • Quem assume o risco de inadimplência depende do arranjo de funding: no FIDC, a cota subordinada absorve as perdas primeiro; na securitização, o risco recai sobre os investidores que compram os títulos; no capital próprio, o risco permanece com quem aporta o capital.

  • A base regulatória vigente inclui a Resolução CMN 5.050/2022, a Resolução CMN 5.159/2024 e a Resolução Conjunta BCB/CMN 14/2025, que adotou o modelo de capital mínimo baseado em atividade para SCDs e SEPs.

  • A solução de crédito da Celcoin entrega infraestrutura full stack de crédito com licença SCD própria, APIs modulares e neutralidade em relação a gestoras de fundos. Conheça a infraestrutura de crédito da Celcoin e comece a originar com licença SCD própria.

Como funciona a originação de crédito no CaaS, passo a passo

A jornada de originação de crédito via CaaS segue um fluxo definido de etapas. A clareza sobre esse mapa operacional reduz falhas de governança em operações de crédito embutido.

Segundo a documentação da plataforma FitBank CaaS, essa jornada inclui autenticação, simulação de crédito opcional, cadastro simples, criação da proposta, envio de documentos, análise e aprovação, geração do contrato, assinatura eletrônica e desembolso. Em operações com parceiros, a jornada pode incluir o endosso de propostas.

  1. Capturar o cliente final é responsabilidade do distribuidor, como varejista, ERP, fintech ou originador. Essa captura ocorre dentro da própria jornada de produto. O cliente enxerga a marca do distribuidor e acessa uma experiência white-label.

  2. Analisar e pontuar o risco é tarefa da plataforma de CaaS em conjunto com parceiros de score de crédito e, quando aplicável, com o motor de crédito do cliente. A análise pode usar dados de Open Finance, histórico de relacionamento e variáveis alternativas.

  3. Decidir o crédito depende da política de crédito definida previamente entre distribuidor e plataforma. Essa política define limites, taxas, prazos e critérios de aprovação. As partes não podem alterar essa política de forma unilateral durante a operação.

  4. Formalizar a operação cabe à instituição regulada, como uma SCD ou SEP. Essa instituição emite digitalmente o instrumento jurídico, em geral a Cédula de Crédito Bancário ou a Nota Comercial. Essa etapa garante executoriedade extrajudicial ao crédito.

  5. Estruturar o funding é responsabilidade do cliente, da gestora ou do veículo de investimento que aporta o capital, como FIDC, securitizadora, capital próprio ou banco parceiro. A plataforma de CaaS fornece tecnologia e operação, não o capital.

  6. Desembolsar os recursos envolve a instituição regulada e a plataforma. Juntas, elas realizam a liquidação financeira para o tomador. O fluxo de caixa segue o arranjo de funding definido na etapa anterior.

  7. Fazer o servicing e a cobrança é função da plataforma de CaaS. Essa função inclui régua de cobrança automatizada, gestão de inadimplência e repasse dos valores recebidos ao veículo de funding.

O diagrama abaixo mostra como a responsabilidade por cada etapa alterna entre quatro agentes principais: distribuidor, plataforma de CaaS, instituição regulada e veículo de funding.

Fluxo ponta a ponta da originação via CaaS, do cliente final ao repasse ao veículo de funding
Fluxo ponta a ponta da originação via CaaS

Boas práticas: documente antes do início da operação quem responde por cada etapa. Definir com clareza a titularidade da política de crédito, a instituição que emite o instrumento jurídico e o responsável pela cobrança reduz conflitos entre distribuidores e plataformas de CaaS.

Camadas de responsabilidade e os modelos de CaaS

Uma operação de crédito via CaaS distribui responsabilidades entre cinco camadas: cliente que contrata a plataforma, distribuidor que leva o crédito ao usuário final, plataforma de CaaS que fornece tecnologia e operação, instituição regulada que formaliza juridicamente e veículo de funding que aporta capital e assume o risco de inadimplência. Em muitos casos, a mesma empresa atua como cliente e distribuidor.

Os modelos de CaaS variam conforme o quanto a plataforma assume em cada camada.

No modelo infrastructure, a plataforma entrega apenas a camada tecnológica, com APIs, motor de crédito, onboarding e cobrança. O cliente mantém licença regulatória própria, define a política de crédito e estrutura o funding de forma independente. Esse modelo atende empresas que já possuem SCD ou SEP e desejam modernizar a infraestrutura sem terceirizar a operação.

No modelo lending, a plataforma entrega tecnologia e operação de crédito, incluindo análise de risco, formalização via licença própria ou parceira e servicing. O cliente continua responsável por trazer o funding. Esse modelo é comum em fintechs em estágio inicial que ainda não possuem licença própria, mas já têm acesso a capital.

No modelo full-stack, a plataforma cobre originação, formalização, servicing e integração com veículos de funding, com a instituição regulada no centro da operação. O cliente contrata uma jornada completa e concentra esforços em produto e distribuição. Esse modelo elimina a necessidade de construir infraestrutura bancária interna.

Independentemente do modelo escolhido, toda operação de crédito no Brasil precisa cumprir uma exigência regulatória central: a formalização da dívida com o instrumento jurídico adequado.

Quem pode originar crédito sem licença bancária e qual o papel da SCD no credit as a service

No Brasil, qualquer empresa pode distribuir crédito ao seu cliente final. Varejistas, ERPs, fintechs e marketplaces já fazem isso em suas jornadas de venda. A etapa que exige licença regulatória é a formalização da operação, que envolve a emissão do instrumento jurídico que representa a dívida e garante executoriedade extrajudicial.

A Resolução CMN nº 4.656/2018 criou duas categorias de fintechs de crédito autorizadas pelo Banco Central do Brasil: a Sociedade de Crédito Direto e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas.

A Sociedade de Crédito Direto concede crédito com recursos próprios por meio de plataforma eletrônica e não pode captar depósitos do público. Essa sociedade pode emitir CCB, CCCB e debêntures, além de ceder carteiras a terceiros. Ela costuma ocupar posição central em operações de CaaS, porque permite formalizar o crédito usando capital próprio ou de veículos de investimento vinculados.

A Sociedade de Empréstimo entre Pessoas atua como intermediária entre credores e tomadores, sem usar capital próprio para o crédito. O dinheiro das operações vem de pessoas físicas ou jurídicas investidoras, e a SEP realiza análise, monitoramento e cobrança sem desembolsar os recursos diretamente. Esse modelo corresponde ao peer-to-peer lending regulamentado.

Na prática, a licença define quem pode formalizar o crédito e qual é o perímetro regulatório da operação. Uma empresa sem licença SCD ou SEP pode distribuir crédito, mas precisa de uma instituição regulada para emitir o instrumento jurídico que formaliza a dívida.

A Resolução CMN nº 5.050/2022 disciplina a atuação de SCDs e SEPs e estabelece deveres regulatórios para mitigar riscos em operações digitais. A Resolução CMN 5.159/2024 atualizou regras de capital mínimo e de cálculo por atividade e risco. A Resolução Conjunta BCB/CMN 14/2025 adotou o modelo de capital baseado em atividade, calculado a partir de custos operacionais, intensidade tecnológica e riscos do modelo de negócio. Estimativas de mercado indicam capital mínimo em torno de R$ 9,8 milhões para SCDs e SEPs, valor superior ao patamar anterior de R$ 1 milhão.

Como funciona o funding no CaaS e quem assume o risco de inadimplência

A plataforma de CaaS não concede o funding diretamente. O capital vem do cliente, de uma gestora ou de um veículo de investimento estruturado. Os arranjos de funding mais comuns no mercado brasileiro são capital próprio, crédito bancário, FIDC, securitização e banco parceiro.

No capital próprio, a empresa ou gestora aporta recursos diretamente na operação. O risco de inadimplência permanece integralmente com quem aporta o capital. Esse arranjo simplifica a operação, mas limita a escala da carteira ao balanço do investidor.

No FIDC, regulado pela Comissão de Valores Mobiliários, a empresa originadora cede os recebíveis ao fundo e recebe recursos à vista. O fundo se estrutura em três classes de cotas. A cota sênior tem maior prioridade de pagamento e menor exposição ao risco. A cota mezanino ocupa posição intermediária. A cota subordinada é a última na hierarquia de pagamento e a primeira a absorver perdas. A inadimplência afeta primeiro a cota subordinada, que funciona como camada de proteção das demais cotas.

Na securitização, o originador cede direitos creditórios a uma sociedade de propósito específico ou securitizadora, que emite títulos como CR, CRI, CRA ou debêntures. O risco de inadimplência dos créditos passa para os investidores que compram esses títulos, enquanto o originador antecipa recursos. O funding vem do mercado de capitais, não do balanço do originador.

No modelo de banco parceiro, a fintech de crédito analisa, aprova e assume o risco de crédito do cliente final. O parceiro se concentra na venda e na originação. A plataforma de CaaS opera a tecnologia e a distribuição.

Dica útil: alinhe o veículo de funding à política de risco antes de iniciar a originação. A escolha entre FIDC, securitização, capital próprio ou banco parceiro influencia custo de capital, escala possível da carteira, requisitos de governança e alocação de perdas em cenários de inadimplência elevada. Essa decisão deve preceder a integração tecnológica. Definido o funding, o passo seguinte é garantir que a operação tenha o instrumento jurídico correto.

Formalização e instrumentos jurídicos da originação

A formalização transforma uma concessão de crédito em obrigação juridicamente exigível. Sem o instrumento adequado, a operação não tem executoriedade extrajudicial e o credor precisa de processo judicial para cobrar a dívida em caso de inadimplência.

A Cédula de Crédito Bancário é o instrumento mais usado na originação de crédito via CaaS no Brasil. Uma Sociedade de Crédito Direto emite a CCB para formalizar a operação. A Lei nº 10.931/2004, nos artigos 26 a 45, define a CCB como título executivo extrajudicial, o que permite ao credor iniciar execução sem processo de conhecimento prévio.

Para ser válida, a CCB precisa conter: a denominação “Cédula de Crédito Bancário”; a promessa de pagamento em dinheiro certa, líquida e exigível; a data e o local de pagamento; o nome da instituição credora; a data e o local de emissão; e a assinatura do emitente. Basta a ausência de um desses requisitos para comprometer a exequibilidade do título. A CCB pode ser emitida em formato digital com a mesma validade jurídica da versão em papel.

A Nota Comercial aparece com mais frequência em operações com pessoas jurídicas e em estruturas de securitização. Esse título de dívida de curto prazo é emitido diretamente no mercado, sem intermediação bancária. A Nota Comercial é emitida apenas na forma escritural por meio de instituições autorizadas a prestar serviço de escrituração pela CVM. A titularidade é controlada em sistemas informatizados do escriturador ou do depositário central, quando houver depósito centralizado.

A emissão digital desses instrumentos, integrada à plataforma de CaaS, aumenta a rastreabilidade, reduz o risco de vício formal e acelera o ciclo de originação.

Boas práticas: antes de emitir qualquer instrumento, verifique se todos os requisitos formais do artigo 29 da Lei nº 10.931/2004 constam na CCB, se o sistema de amortização está descrito de forma clara e não apenas por remissão a planilhas externas, se a taxa de juros nominal e a taxa efetiva aparecem de forma explícita e se o instrumento está registrado no sistema adequado para eventual cessão a FIDC ou securitizadora.

CaaS, empréstimo pessoal e banking as a service: o que não se confunde

Credit as a service para originar crédito se diferencia de empréstimo pessoal e de banking as a service, embora esses conceitos apareçam no mesmo ecossistema.

O empréstimo pessoal é um produto de crédito ofertado diretamente a consumidores por uma instituição financeira. O CaaS é a infraestrutura que permite a uma empresa oferecer produtos de crédito aos seus próprios clientes, e não um produto de crédito em si. A Celcoin não concede o funding diretamente, mas fornece a infraestrutura para que empresas ofereçam produtos de crédito, como Buy Now Pay Later e crédito consignado, aos clientes finais.

O banking as a service é um modelo mais amplo que disponibiliza infraestrutura bancária completa, com contas digitais, pagamentos, cartões, Pix e crédito, via APIs para empresas de qualquer setor. O CaaS representa um recorte especializado dentro do ecossistema de embedded finance, dedicado à originação, formalização, gestão e cobrança de crédito. No contexto de embedded lending no Brasil, o CaaS é a camada que viabiliza crédito embutido em jornadas de venda sem que o distribuidor precise construir uma operação bancária completa.

A Celcoin como infraestrutura full stack para originar crédito

A solução de crédito da Celcoin oferece infraestrutura tecnológica e financeira full stack para toda a jornada de crédito. Na originação, essa infraestrutura inclui avaliação de score, simulação de juros e definição de políticas de crédito. Na formalização, a solução permite emitir CCB usando a licença SCD própria da Celcoin. Depois da formalização, a solução cobre gestão de carteira, integração com gestoras de fundos e cobrança.

Originadores, correspondentes bancários, gestoras de fundos, fintechs de crédito, varejistas e ERPs utilizam a solução de crédito da Celcoin para escalar operações sem construir infraestrutura bancária própria. A Celcoin atua com neutralidade em relação às gestoras de fundos, o que amplia o acesso a condições competitivas de originação para todos os participantes.

Se o cliente ainda não possui licença regulatória própria, a Celcoin disponibiliza sua licença SCD. Se já possui, a Celcoin atua como parceiro de infraestrutura, e o valor está nas APIs modulares, no suporte ao desenvolvedor e na capacidade de lançar novos produtos de crédito rapidamente. A tabela abaixo resume as principais funcionalidades da solução de crédito da Celcoin e o benefício direto de cada uma para a operação da sua empresa.

Funcionalidade da Celcoin

Benefício para sua empresa

APIs modulares

Integrações mais rápidas, com redução de custos e prazos de desenvolvimento.

Experiência e suporte ao desenvolvedor

Documentação, SDKs e sandboxes que encurtam ciclos de integração e reduzem custos de engenharia.

Capacidade de lançamento rápido

Módulos pré-construídos e entrega via SaaS aceleram lançamentos e antecipam geração de receita.

Distribuição white-label e embutida

Suporte a produtos financeiros com marca própria integrados à jornada do seu cliente.

Escalabilidade com confiabilidade

Infraestrutura em nuvem com alta disponibilidade para manter serviços estáveis mesmo em altos volumes.

Cobertura de diversas possibilidades de pagamentos, incluindo crédito

Oferta combinada de pagamentos e crédito para aumentar conversão, receita média por usuário e fidelização.

Acesso a dados e personalização

Dados e análises via Open Finance para criar ofertas personalizadas e melhorar conversão e retenção.

Compliance e conformidade como princípio

KYC, AML e relatórios integrados para reduzir risco regulatório e acelerar ciclos de vendas.

Prevenção de fraude e controles de risco

Monitoramento baseado em IA e autenticação robusta para reduzir estornos, perdas e exposição regulatória.

Força do ecossistema de parceiros da Celcoin

Parcerias e integrações com bancos, redes e fintechs que ampliam cobertura e velocidade de entrada no mercado.

Fale com a Celcoin e veja como integrar crédito ao seu produto via APIs.

Perguntas frequentes

O que é credit as a service para originar crédito?

Credit as a service para originar crédito é o modelo em que uma empresa oferece produtos de crédito ao cliente final usando a infraestrutura tecnológica, operacional e regulatória de um parceiro especializado. Essa empresa não precisa construir internamente um motor de crédito, obter licença bancária própria ou estruturar um veículo de funding do zero. A infraestrutura é disponibilizada de forma modular, via APIs, com responsabilidades distribuídas entre distribuidor, plataforma de CaaS, instituição regulada e veículo de funding.

Quem pode originar crédito sem licença bancária no Brasil?

Empresas de qualquer setor podem distribuir crédito ao cliente final, desde que a formalização da dívida fique a cargo de uma instituição autorizada pelo Banco Central, como uma Sociedade de Crédito Direto ou uma Sociedade de Empréstimo entre Pessoas. Essa etapa de formalização é a que exige licença regulatória. Empresas sem licença própria podem contratar uma plataforma de CaaS que disponibilize sua licença para formalizar as operações.

Qual o papel da SCD no credit as a service?

A Sociedade de Crédito Direto é a instituição regulada que formaliza juridicamente as operações de crédito originadas via CaaS. Essa sociedade opera exclusivamente em ambiente digital, concede crédito com recursos próprios, pode emitir CCB e ceder carteiras a terceiros. No modelo de CaaS, a SCD da plataforma parceira permite que empresas sem licença própria formalizem operações de crédito com segurança jurídica e executoriedade extrajudicial, sem precisar obter autorização própria do Banco Central.

Como funciona o funding no CaaS?

O funding vem de fora da plataforma de CaaS. O capital pode vir do próprio cliente, de uma gestora ou de um veículo estruturado como FIDC, securitizadora, capital próprio ou banco parceiro. A plataforma de CaaS fornece tecnologia e operação para originação, formalização e cobrança, enquanto o capital e o risco de inadimplência ficam com o arranjo de funding escolhido.

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