Como grandes varejistas monetizam serviços financeiros

Como grandes varejistas monetizam serviços financeiros?

Última atualização: 30 de julho de 2026

Principais lições deste artigo

  • A financeirização do varejo permite transformar dados de compra em produtos financeiros como crédito, contas digitais e seguros. Essa estratégia gera receita recorrente com margens superiores às do varejo tradicional.

  • Cinco modelos principais, juros e crediário próprio, antecipação de recebíveis, tarifas via Pix e maquininhas, seguros com comissões e conta digital com float, oferecem margens de até 60% e podem ser implementados via Banking as a Service.

  • O uso de Banking as a Service reduz o tempo de lançamento de produtos financeiros para 3 a 6 meses e elimina custos fixos de licença própria e de infraestrutura regulatória inicial.

  • Empresas que adotam serviços financeiros embarcados aumentam a fidelidade. Um total de 75% dos consumidores afirma que bons serviços elevam a lealdade à marca varejista.

  • Para implementar essa estratégia com agilidade e conformidade regulatória, conheça as soluções da Celcoin.

Cinco modelos de monetização no varejo financeiro

Os serviços financeiros embarcados devem gerar R$ 24 bilhões em receita para empresas brasileiras até 2026, e empresas que embarcam serviços financeiros capturam entre 1,5% e 4% do volume processado em receita adicional, com margem superior a 60% em determinados modelos. A tabela abaixo compara margens, exemplos reais e requisitos de implementação de cada modelo, o que ajuda a avaliar qual opção se adequa melhor ao perfil da operação varejista.

Modelo

Margem aproximada

Exemplo brasileiro

Como implementar via baas

Juros e crediário próprio

Spread de 1,5–4% a.m. sobre valor emprestado

Riachuelo (Midway financeira)

Operar como SCD ou IP sob licença do provedor baas, com APIs para originação e cobrança

Antecipação de recebíveis

0,8–2% sobre valor antecipado

Techfin (Totvs + Itaú): R$ 13,2 bi originados em 2025

Estruturar FIDC com cessão de direitos creditórios via plataforma baas

Tarifas via Pix e maquininhas

R$ 0,01–3,50 por transação, com interchange de 0,5–1,8%

Mercado Pago (Mercado Livre)

Integrar APIs para Pix e adquirência sob arranjo regulado pelo Banco Central

Seguros e comissões

Comissão de 17–30% sobre prêmio

Assaí (expansão para serviços financeiros em 2025–2026)

Firmar parceria com seguradora via open insurance e embarcar a distribuição no checkout

Conta digital e float

100% do CDI sobre saldo médio retido

Varejista top 10 no Brasil: R$ 22 mi/ano em receita financeira

Oferecer conta de pagamento individualizada sob IP do provedor baas, com remuneração de saldo via API

A Celcoin não oferece empréstimo para consumidores. A Celcoin fornece infraestrutura tecnológica para que empresas consigam ofertar produtos de crédito aos seus clientes.

Como implementar via BaaS: passo a passo

O uso de Banking as a Service reduz o tempo de lançamento de um produto financeiro para 3 a 6 meses, pois a infraestrutura e as licenças já estão operacionais no provedor. A criação de infraestrutura própria exige investimento inicial entre R$ 15 mil e R$ 500 mil em tecnologia, além de capital mínimo regulatório de até R$ 14 milhões. Com Banking as a Service, os custos tornam-se variáveis e se baseiam no uso da plataforma.

  1. Avaliação regulatória: mapear quais produtos serão ofertados, como conta de pagamento, crédito e adquirência, e verificar o enquadramento na Resolução conjunta nº 16/2025 do Banco Central e CMN, que estabelece o primeiro marco regulatório específico para Banking as a Service no Brasil, com prazo de adequação até 31 de dezembro de 2026.

  2. Escolha de licença: decidir entre operar sob a licença de instituição de pagamento do provedor baas ou obter licença própria. O capital mínimo para licença própria de instituição de pagamento é de R$ 9,2 milhões. O Banking as a Service elimina esse custo inicial.

  3. Integração de APIs: conectar APIs modulares de conta, Pix, cartão e crédito ao sistema de gestão do varejista. Cada integração deve usar HTTPS/TLS, idempotency-key para evitar cobranças duplicadas e validação de assinatura HMAC nos webhooks.

  4. Lançamento piloto: iniciar com um segmento de clientes ou região e monitorar KPIs de aprovação de transações, inadimplência e NPS financeiro. Durante esse piloto, a orquestração de pagamentos, que roteia transações entre múltiplos provedores, pode elevar a taxa de aprovação em volumes significativos de TPV e gerar receita adicional que justifica a expansão.

  5. Migração para licença própria: após validar volumes e margens, migrar para Core Banking com licença própria e manter a mesma base tecnológica, sem reconstruir a operação.

Veja como a Celcoin acelera sua implementação de Banking as a Service.

A Celcoin como parceira de infraestrutura

A Celcoin opera com portfólio completo de licenças e tecnologia proprietária, mediando mais de R$ 30 bilhões em transações por mês e atendendo mais de 6 mil clientes entre fintechs, bancos digitais, ERPs e varejistas. Empresas sem licença própria operam sob a infraestrutura regulatória da Celcoin. Empresas já licenciadas utilizam o Core Banking para ganhar eficiência e escala sem reconstruir a operação.

Funcionalidade da Celcoin

Benefício para sua empresa

APIs modulares

Integrações mais rápidas, com redução de custos e prazos de desenvolvimento.

Experiência e suporte ao desenvolvedor

Documentação, SDKs e sandboxes reduzem ciclos de integração e custos de engenharia.

Capacidade de lançamento rápido

Módulos pré-construídos e entrega via SaaS aceleram lançamentos e melhoram o tempo para geração de receita.

Distribuição white-label e embutida (embedded)

Suporte a produtos financeiros com marca própria.

Escalabilidade com confiabilidade

Solução com alta disponibilidade e escalável na nuvem mantém serviços funcionando mesmo com altos volumes e protege a receita.

Cobertura de diversas possibilidades de pagamentos, incluindo crédito

Oferta de pagamentos e emissão de crédito aumenta conversão, ARPU e fidelização.

Acesso a dados e personalização

Dados e análises via Open Finance permitem ofertas personalizadas e melhoram conversão e retenção.

Compliance e conformidade como princípio

KYC, AML e relatórios integrados reduzem risco regulatório e aceleram ciclos de vendas.

Prevenção de fraude e controles de risco

Monitoramento baseado em IA e autenticação robusta reduzem estornos, perdas e exposição regulatória.

Força do ecossistema de parceiros da Celcoin

Parcerias e integrações com bancos, redes e fintechs ampliam cobertura, recursos e velocidade de entrada no mercado.

Casos recentes

O estudo da Celcoin “O varejo no novo ecossistema financeiro” mostra que 75% dos consumidores afirmam que bons serviços financeiros aumentam a fidelidade à marca varejista, e que 6 em cada 10 consumidores já mudaram ou mantiveram a escolha de loja por conta das condições de crédito e pagamento oferecidas. Esses casos recentes confirmam que o sucesso do varejo no novo ecossistema financeiro depende da capacidade de oferecer crédito que facilite o consumo.

Erros comuns e pontos de atenção

Critérios de sucesso na implementação

  • Tempo de implementação: ter piloto operacional em até 6 meses via Banking as a Service, com APIs documentadas e sandbox disponível.

  • Estabilidade operacional: após o piloto entrar em produção, a estabilidade torna-se crítica. Disponibilidade mínima de 99,9% e reconciliação automática com taxa de acerto acima de 99,8% representam benchmarks de mercado para operações varejistas.

  • Redução de custos: essa estabilidade permite focar na eficiência. Consolidar múltiplos fornecedores em uma única plataforma elimina custos de integração fragmentada e reduz o custo por transação à medida que o volume escala.

  • Conformidade contínua: relatórios regulatórios automatizados, como DIMP, CADOCs, CCS e SCR, enviados diretamente ao Banco Central sem intervenção manual.

  • Fidelização mensurável: clientes que usam serviços financeiros embarcados tendem a apresentar ticket médio maior e churn menor, o que comprova o impacto da estratégia.

Conclusão

A financeirização do varejo deixou de ser diferencial competitivo e passou a funcionar como requisito de margem. Os cinco modelos descritos, crédito próprio, antecipação de recebíveis, tarifas transacionais, seguros e float de conta digital, podem ser implementados em poucos meses via Banking as a Service, sem necessidade de licença própria na fase inicial e sem reconstruir a infraestrutura ao migrar para licença própria. A Celcoin oferece o caminho completo, da primeira API ao Core Banking com licença integrada, com compliance, KYC, relatórios regulatórios e suporte especializado em uma única plataforma.

Comece sua jornada de financeirização com a infraestrutura completa da Celcoin.

FAQ

Como vender serviços financeiros sendo um varejista sem licença própria?

Um varejista sem licença própria pode oferecer contas digitais, Pix, cartões pré e pós-pagos, crédito e seguros operando sob a licença de instituição de pagamento de um provedor de Banking as a Service. Nesse modelo, o varejista assina um contrato de serviço com o provedor regulado, integra as APIs ao seu sistema de gestão e lança os produtos com sua própria marca. Toda a responsabilidade regulatória perante o Banco Central recai sobre o provedor licenciado. O varejista monetiza via spread, tarifas e float sem precisar constituir uma instituição financeira própria. A Resolução conjunta nº 16/2025 exige que o provedor baas seja autorizado pelo Banco Central e que o contrato preveja controles de KYC, PLD-FT e rastreabilidade ponta a ponta.

Como as instituições financeiras lucram no Brasil?

As principais fontes de receita de instituições financeiras no Brasil incluem spread de crédito, que representa a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada do tomador, tarifas de serviços como manutenção de conta, transferências e emissão de cartão, receita de interchange sobre transações com cartão, float sobre saldos mantidos em contas de pagamento remuneradas pelo CDI, comissões de distribuição de seguros e produtos de investimento e antecipação de recebíveis cobrada como percentual sobre o valor antecipado. Para varejistas que embarcam serviços financeiros, os mesmos mecanismos se aplicam dentro do ecossistema da própria rede, com a vantagem de dados proprietários de comportamento de compra que permitem precificação de risco mais precisa.

Quanto custa implementar Banking as a Service para um varejista?

O custo de implementação via Banking as a Service é estruturado principalmente como variável e atrelado ao volume de transações processadas, em vez de exigir investimento fixo elevado. Isso contrasta com a construção de infraestrutura própria, que exige o capital regulatório mencionado anteriormente, mais entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões em tecnologia na fase inicial. Com Banking as a Service, o varejista paga pelo uso da plataforma em modelo SaaS, sem custo de setup regulatório. O tempo médio para chegar à produção varia de 3 a 6 meses. À medida que o volume cresce e a operação amadurece, é possível migrar para licença própria mantendo a mesma infraestrutura tecnológica, sem reconstruir sistemas.

Quais produtos financeiros um varejista pode oferecer via Banking as a Service?

Via Banking as a Service, um varejista pode oferecer contas digitais individualizadas para pessoas físicas e jurídicas, Pix, transferências P2P, TED, pagamento de contas, recargas, cartões pré-pagos e pós-pagos com marca própria, crédito direto ao consumidor, antecipação de recebíveis e seguros distribuídos via open insurance. Todos esses produtos são entregues sob a licença do provedor baas, com KYC, onboarding digital, relatórios regulatórios e prevenção a fraudes geridos pela infraestrutura do parceiro. O varejista configura tarifas, limites e réguas de crédito conforme sua estratégia comercial e mantém a experiência com sua própria identidade visual.

O que muda com a Resolução conjunta nº 16/2025 para varejistas que já operam serviços financeiros?

A Resolução conjunta nº 16/2025, publicada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional em novembro de 2025, estabelece o primeiro marco regulatório específico para Banking as a Service no Brasil. Varejistas com contratos de Banking as a Service já em vigor têm até 31 de dezembro de 2026 para adequar suas operações às exigências de governança, controles de risco, conformidade com PLD-FT e rastreabilidade ponta a ponta. A norma também determina que apenas instituições autorizadas pelo Banco Central podem fornecer Banking as a Service e que o cliente final deve ter clareza sobre qual instituição regulada é responsável pelos serviços financeiros contratados. Varejistas que ainda não iniciaram a adequação devem priorizar a escolha de um provedor baas com plano documentado de conformidade com a resolução.