Principais lições deste artigo
-
O ITP (Iniciador de Transação de Pagamento) é uma instituição autorizada pelo Banco Central que inicia pagamentos via Open Finance sem custodiar recursos, conectando o ambiente da empresa ao banco do cliente por meio de APIs padronizadas.
-
Transações via Pix iniciadas por ITP cresceram mais de oito vezes entre 2024 e 2025, o que evidencia a relevância estratégica do ITP para fintechs, bancos digitais, varejistas e ERPs.
-
Comparado à Instituição de Pagamento (IP), o ITP exige uma estrutura regulatória mais simples e dispensa participação direta no Pix, o que cria uma porta de entrada mais acessível para empresas que desejam oferecer pagamentos sem custodiar recursos.
-
As principais vantagens do ITP incluem redução de atrito no checkout, aumento de conversão em jornadas sem redirecionamento, custos por transação menores que os do cartão de crédito e ausência de chargeback, pois a liquidação via Pix é definitiva e irrevogável.
-
Empresas podem se tornar ITP obtendo licença própria junto ao Banco Central ou conectando-se a um ITP já licenciado via parceiros de infraestrutura. Conheça a infraestrutura da Celcoin para iniciação de pagamentos.
O que é ITP no Open Finance?
O Iniciador de Transação de Pagamento (ITP) é uma instituição autorizada pelo Banco Central que inicia transações de pagamento em nome do usuário, com consentimento explícito, sem custodiar os recursos. A Resolução BCB nº 80/2021 define essa figura regulatória e o ITP conecta o ambiente da empresa ao banco do cliente por meio de APIs padronizadas do Open Finance.
O ITP atua como intermediário autorizado entre o usuário e a instituição detentora da conta. Ele comanda ordens de pagamento via APIs padronizadas do Open Finance, sem custodiar os recursos do cliente. O dinheiro sai diretamente da conta do pagador para o recebedor via Pix, sem passar pelo ITP em nenhum momento.
A terceira fase do Open Finance, iniciada em outubro de 2021, introduziu a iniciação de transações de pagamento. Essa fase marcou a evolução do ecossistema do compartilhamento de informações para o compartilhamento de serviços, estruturada pela Resolução Conjunta CMN/BCB nº 1/2020.
Conheça a infraestrutura da Celcoin para iniciação de pagamentos.
ITP vs. IP: qual a diferença?
A distinção entre Instituição de Pagamento (IP) e Iniciador de Transação de Pagamento (ITP) orienta a decisão de como a empresa vai atuar no ecossistema de pagamentos.
A IP pode oferecer contas digitais, custodiar recursos, emitir cartões e prestar serviços financeiros completos. O ITP, por sua vez, apenas inicia transações, sem deter recursos ou oferecer contas. Ele funciona como uma camada de conexão entre o usuário e seu banco.
A distinção prática mais importante é que o ITP fica na camada de iniciação, não na de liquidação. Ser ITP não exige participação direta no Pix, pois quem conecta ao SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos) e liquida é o banco do pagador. Uma empresa pode acumular as duas naturezas, mas o ITP representa uma porta de entrada mais acessível para quem quer oferecer pagamentos sem obter a licença completa de IP.
Como funciona o ITP na prática?
O fluxo de uma transação iniciada por ITP segue etapas bem definidas:
-
O usuário seleciona “Pix” ou “pagamento via Open Finance” no checkout da loja ou plataforma.
-
O ITP solicita consentimento do usuário para acessar suas informações bancárias e iniciar o pagamento.
-
O usuário é autenticado no banco detentor da conta por biometria, senha ou outro método seguro.
-
O ITP envia a instrução de pagamento ao banco do usuário por meio de APIs padronizadas do Open Finance.
-
O banco debita os recursos da conta do usuário e liquida via Pix, no SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos).
-
O recebedor confirma a transação em segundos, e o usuário permanece no ambiente da loja durante todo o processo.
Na Jornada Sem Redirecionamento (JSR), a autenticação acontece por credencial criada no próprio dispositivo do pagador. O processo inteiro se conclui no ambiente do ITP, sem troca de app e sem saída da tela de compra. A JSR tornou-se obrigatória para todas as instituições detentoras de conta do arranjo Pix em 6 de fevereiro de 2026, conforme a Resolução BCB 541/2025.
Quais as vantagens do ITP para empresas?
O ITP melhora a experiência de pagamento e reduz fricções em jornadas digitais.
Redução de atrito no checkout: o ITP elimina a necessidade de copiar códigos Pix ou abrir o app do banco. André Mello, sócio da prática de serviços financeiros da Bain & Company, afirma que o redirecionamento é hoje a maior fonte isolada de quebra de jornada e de dor dos clientes.
Aumento de conversão: a redução de atrito se converte em mais vendas concluídas. Dados da Bain & Company indicam taxas de conversão entre 50% e 60% em jornadas com redirecionamento, bem abaixo do benchmark observado em jornadas sem troca de ambiente.
Custo menor que cartão: o fee típico de um ITP fica entre 0,5% e 1,5% por transação, enquanto a taxa de processamento de cartão de crédito no Brasil costuma variar entre 1,5% e 3,5%.
Sem chargeback: a liquidação via Pix é definitiva e irrevogável. Esse ponto tem impacto direto em setores com alta incidência de fraude de chargeback, como games, ingressos e serviços digitais.
Segurança e conformidade: a arquitetura do ITP sustenta aderência simultânea à LGPD, às Resoluções CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025 sobre segurança cibernética e aos padrões internacionais PCI-DSS. Isso reduz riscos regulatórios e facilita a governança de dados.
Casos de uso práticos incluem varejistas com checkout mais rápido, ERPs com pagamentos embutidos no software de gestão e fintechs que criam experiências financeiras integradas sem sair do próprio ambiente digital.
Regulação do ITP no Brasil
A base regulatória do ITP está na Resolução BCB nº 80/2021 e na Resolução Conjunta CMN/BCB nº 1/2020, que estruturou o Open Finance em quatro fases progressivas.
Para se tornar um ITP no Brasil, a instituição deve constituir-se como sociedade limitada ou anônima, ter a iniciação de pagamento como objeto social principal e manter capital mínimo de R$ 1 milhão. A instituição também deve incluir “instituição de pagamento” na denominação social e cumprir as obrigações de PLD/FT da Circular BCB 3.978/2020, que abrangem KYC, KYB, verificação de PEP, checagem de sanções e identificação de beneficiário final.
Do ponto de vista técnico, a autorização exige implementação do perfil FAPI (Financial-grade API) para autenticação e autorização. A instituição precisa manter um sistema de gestão de consentimento em linha com a LGPD e uma infraestrutura de alta disponibilidade. O processo de autorização como ITP costuma ser mais rápido que o de participante direto do Pix, pois dispensa Conta PI no SPI e integrações de mensageria ISO 20022.
O número de instituições autorizadas a atuar como ITP no Brasil passou de 27 no fim de 2023 para 47 em 2024 e cerca de 60 em 2026. O Open Finance atingiu 138,46 milhões de consentimentos únicos e 239,79 milhões de autorizações ativas para compartilhamento de dados entre instituições financeiras, o que amplia o potencial de uso do ITP.
Como sua empresa pode se tornar um ITP?
Empresas podem operar com iniciação de pagamentos por meio de dois caminhos principais.
-
Obter licença própria junto ao Banco Central: esse caminho envolve submissão de pedido formal, revisão de documentação técnica e organizacional e avaliação da capacidade operacional. Em caso de aprovação, o Banco Central concede a autorização para início das operações. Soluções modulares com APIs padronizadas reduzem o prazo de entrega para entre 3 e 9 meses em projetos típicos.
-
Conectar-se a um ITP já licenciado via parceiros de infraestrutura: PSPs e empresas não precisam obter a licença de ITP para embutir iniciação de pagamento no produto. Elas podem acessar provedores de infraestrutura que já detêm a licença e a integração técnica com o Open Finance Brasil, recebendo essa capacidade via API com a estrutura regulatória já contemplada.
A Celcoin é participante direta no Pix e atua como iniciadora de pagamentos no Open Finance. A empresa oferece infraestrutura completa para negócios que desejam integrar essa funcionalidade ou evoluir para licença própria.
Fale com nossos especialistas para começar sua jornada como ITP.
Celcoin: infraestrutura completa para o seu ITP
A Celcoin opera com portfólio completo de licenças e tecnologia proprietária. A empresa oferece APIs modulares para que negócios possam prover serviços bancários completos, que incluem contas digitais, cartões, liquidação, compliance e relatórios regulatórios. O banking da Celcoin é participante direto no Pix e iniciador de pagamentos no Open Finance, com infraestrutura que cobre banking, pagamentos e crédito.
Fintechs, bancos digitais, ERPs e grandes varejistas podem iniciar utilizando as licenças da Celcoin no modelo BaaS e, posteriormente, migrar para suas próprias licenças com o Core Banking. Essa abordagem mantém a mesma base tecnológica, segurança e suporte. A Celcoin media mais de R$ 30 bilhões em transações mensalmente e atende mais de 6 mil clientes.
A Celcoin não oferece nenhum tipo de empréstimo para consumidores. A empresa fornece a infraestrutura tecnológica para que negócios consigam ofertar produtos de crédito aos seus clientes.
A tabela abaixo resume as principais funcionalidades da plataforma e os benefícios que cada uma entrega ao seu negócio.
|
Funcionalidade da Celcoin |
Benefício para sua empresa |
|
APIs modulares |
Como são modulares, as APIs permitem integrações mais rápidas, o que reduz custos e prazos de desenvolvimento. |
|
Experiência e suporte ao desenvolvedor |
Documentação, SDKs e sandboxes estruturados reduzem ciclos de integração e diminuem custos de engenharia. |
|
Capacidade de lançamento rápido |
Módulos pré-construídos e entrega via SaaS aceleram lançamentos, o que melhora o tempo para geração de receita e a competitividade. |
|
Distribuição white-label e embutida (embedded) |
Suporte a produtos financeiros com marca própria permite que a empresa mantenha a relação direta com o cliente final. |
|
Escalabilidade com confiabilidade |
Solução com alta disponibilidade e escalável na nuvem mantém serviços funcionando em altos volumes e protege a receita da empresa. |
|
Cobertura de diversas possibilidades de pagamentos, incluindo crédito |
A oferta de pagamentos e emissão de crédito aumenta conversão, ARPU e fidelização de clientes. |
|
Acesso a dados e personalização |
Dados e análises via Open Finance permitem ofertas personalizadas, o que melhora conversão e retenção. |
|
Compliance e conformidade como princípio |
KYC, AML e relatórios integrados reduzem risco regulatório e aceleram ciclos de vendas. |
|
Prevenção de fraude e controles de risco |
Monitoramento baseado em IA e autenticação robusta reduzem estornos, perdas e exposição regulatória. |
|
Força do ecossistema de parceiros da Celcoin |
Parcerias e integrações com bancos, redes e fintechs ampliam cobertura, recursos e velocidade de entrada no mercado. |
FAQ
O que significa a sigla ITP?
A sigla ITP tem dois significados principais, de acordo com o contexto. No setor financeiro, ITP significa Iniciador de Transação de Pagamento, categoria regulatória criada pelo Banco Central do Brasil dentro do framework do Open Finance. Na medicina, ITP é a sigla para Trombocitopenia Imune, uma doença autoimune que afeta as plaquetas do sangue. Este guia trata do ITP no contexto do Open Finance brasileiro.
O que é ITP na medicina?
Na medicina, ITP é a sigla para Trombocitopenia Imune (do inglês, Immune Thrombocytopenia). Trata-se de um distúrbio hemorrágico em que o sistema imunológico produz autoanticorpos contra antígenos plaquetários, o que aumenta a destruição de plaquetas e inibe a produção plaquetária. A condição costuma ser crônica em adultos e aguda e autolimitada em crianças, com sintomas como petéquias, púrpura, sangramentos mucosos e fadiga.
O que é o iniciador de pagamentos (ITP) no Open Finance?
O Iniciador de Transação de Pagamento (ITP) é uma instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil a disparar uma ordem de pagamento em nome do usuário, com consentimento explícito, sem acessar senhas e sem custodiar os recursos em nenhum momento do processo. O ITP conecta o ambiente da loja ou plataforma ao banco do cliente por meio de APIs padronizadas do Open Finance, instrui o banco do pagador a executar o débito e a liquidação ocorre via Pix, no SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos). A regulamentação está na Resolução BCB nº 80/2021 e o serviço entrou em operação na terceira fase do Open Finance, em outubro de 2021.
Como funciona o ITP no Open Finance?
O usuário seleciona o pagamento via Open Finance no checkout da loja e autoriza o ITP a acessar suas informações bancárias. O ITP envia a instrução de pagamento ao banco do usuário por meio de APIs padronizadas. O banco autentica o usuário, debita os recursos e liquida a operação via Pix. Na Jornada Sem Redirecionamento (JSR), toda a autenticação ocorre no próprio dispositivo do pagador, sem que ele precise abrir o aplicativo do banco ou sair da tela de compra. O consentimento tem escopo definido, prazo determinado e pode ser revogado a qualquer momento pelo usuário.
Quais as vantagens do ITP para empresas?
As principais vantagens do ITP para empresas incluem redução do atrito no checkout, com eliminação da necessidade de copiar códigos Pix ou trocar de aplicativo, e aumento das taxas de conversão em jornadas sem redirecionamento. Os custos de processamento tendem a ser menores que os do cartão de crédito, em linha com os custos por transação já citados. Além disso, não há chargeback, pois a liquidação via Pix é definitiva e irrevogável. O ITP também permite oferecer experiências de pagamento inovadoras, como Pix Automático para assinaturas e embedded payments em ERPs e marketplaces, sem sair do ambiente digital.
Como se tornar um ITP?
Para obter autorização como ITP junto ao Banco Central, a empresa deve constituir-se como sociedade limitada ou anônima, ter a iniciação de pagamento como objeto social principal, manter capital mínimo de R$ 1 milhão e incluir “instituição de pagamento” na denominação social. A empresa também precisa cumprir as obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo (PLD/FT) da Circular BCB 3.978/2020, implementar o perfil FAPI (Financial-grade API), ter sistema de gestão de consentimento em conformidade com a LGPD e manter infraestrutura de alta disponibilidade. Alternativamente, empresas podem se conectar a um ITP já licenciado por meio de parceiros de infraestrutura, sem passar pelo processo de autorização própria.
Conclusão
O ITP ocupa posição central no Open Finance brasileiro, com crescimento de mais de oito vezes em transações entre 2024 e 2025, de 7,4 milhões para 64,5 milhões de operações, e volume financeiro que saltou de R$ 3,17 bilhões para R$ 15,3 bilhões no mesmo período. A Jornada Sem Redirecionamento, agora obrigatória, consolida o ITP como caminho eficiente para pagamentos digitais com alta conversão e baixo atrito.
Compreender o ITP e diferenciar esse conceito do uso médico da sigla é essencial para empresas que desejam inovar em pagamentos, reduzir abandono no checkout e oferecer experiências financeiras integradas. A Celcoin oferece infraestrutura completa para empresas que desejam se tornar um ITP ou integrar essa funcionalidade, com licenças próprias, tecnologia e suporte regulatório em todas as etapas da jornada.
Explore como a Celcoin pode apoiar sua estratégia de pagamentos.

