Crescimento vem tanto pela busca por conveniência, como pela facilidade de as empresas incluírem gateways de pagamento e carteiras digitais em suas plataformas, melhorando a experiência do cliente
Incorporar produtos financeiros em plataformas originalmente voltadas para outros tipos de atividade vem ganhando cada vez mais força. O chamado Embedded Finance — em português, finanças embarcadas ou embutidas — proporciona que empresas de diversos setores, entre eles telecomunicações, tecnologia (como aplicativos de transporte ou redes sociais) e varejo, integrem serviços bancários em suas plataformas.
Assim, passam a oferecer, por exemplo, parcelamento de vendas, concessão de crédito, seguros e investimentos. Outro exemplo é permitir que o comprador conclua uma transação sem precisar migrar para o aplicativo do banco, tornando a experiência de compra muito mais fluida.
A evolução tecnológica do setor financeiro, em especial com o desenvolvimento de interfaces bancárias de programação de aplicativos (APIs), o avanço do Open Finance e a expansão do modelo Banking as a Service (BaaS), pavimentaram o caminho para essa revolução acontecer. E, agora, o crescimento do mercado de finanças embutidas aponta para um futuro promissor.
Embedded Finance em alta
O mercado europeu, por exemplo, já está crescendo a taxas de dois dígitos, segundo a consultoria McKinsey & Company, que projetou que as receitas oriundas de Embedded Finance podem ultrapassar 100 bilhões de euros na Europa até o fim desta década (2030) e responder por de 10% a 15% das receitas bancárias.
A McKinsey destacou que o mercado de finanças embarcadas gerou uma estimativa de 20 bilhões a 30 bilhões de euros na Europa em 2023, cerca de 3% do total de receitas bancárias naquele ano. E que, nos últimos dez anos, na Europa, os volumes de finanças embutidas cresceram três vezes mais rápido do que os empréstimos distribuídos diretamente.
As receitas futuras foram estimadas combinando previsões de mercado endereçável com as previsões de crescimento de especialistas da consultoria. Segundo os cálculos da McKinsey, canais de Embedded Finance podem iniciar de 20% a 25% das vendas de bancos de varejo para pessoas físicas e pequenas e médias empresas, e responder por também de 20% a 25% dos empréstimos para varejo ou PME, acima dos atuais de 5% a 10%.
Esse impulso vem da facilidade que as finanças embarcadas proporcionam ao promoverem a distribuição de produtos e serviços financeiros, como empréstimos e seguros, em canais de terceiros, com jornadas instantâneas e contínuas para o cliente.
Globalmente, a Precedence Research estimou que o tamanho do mercado mundial de finanças incorporadas está calculado para chegar a US$ 148,38 bilhões em 2025 com previsão de atingir cerca de US$ 1,732 trilhão até 2034 — o que representa um CAGR de 31,53% de 2025 a 2034.
O tamanho do mercado global de finanças incorporadas foi estimado em US$ 111,72 bilhões em 2024, com a América do Norte contribuindo com cerca de 33% da receita em 2024, seguida da Europa (29%), Ásia-Pacífico (27%), América Latina (7%) e 4% MEA (Oriente Médio e África).
O crescimento ocorre, por um lado, pela busca dos consumidores por conveniência e, por outro, pela facilidade de as empresas incluírem gateways de pagamento e carteiras digitais em suas plataformas, melhorando a experiência do cliente.
Perspectivas do Embedded Finance no Brasil
No Brasil, o aumento das finanças embutidas vem na esteira das novas regulações do Banco Central. As regras têm sido criadas para flexibilizar as estruturas necessárias para que novos entrantes possam ofertar serviços financeiros de uma forma segura.
Ao estimar o mercado brasileiro de Embedded Finance, a Deloitte considerou os principais setores que possuem contato direto com o consumidor final (B2C) e ponderou que, com diferentes potenciais de penetração e oferta de valor dentro de suas cadeias, os segmentos somados poderiam gerar uma receita adicional de aproximadamente R$ 24 bilhões em 2026, sendo que cerca de R$ 10 bilhões poderia vir de economias geradas pelos setores e se tornarem autossuficientes.
A justificativa da consultoria é que os setores são, na maioria, focados no público de classe C (até 5 salários mínimos de renda mensal) e nas pequenas e médias empresas (no caso de B2B). Juntos, eles devem responder por uma oferta de crédito de até R$ 83 bilhões em 2026, “valor que hoje os clientes buscam em instituições financeiras tradicionais ou não é explorado por falta de oferta compatível dentro do mercado”, destacou a Deloitte.
Portanto, existe uma grande oportunidade para explorar a incorporação dos serviços financeiros com objetivo de fornecer uma oferta para fornecer produtos e serviços para clientes e fornecedores (B2B ou B2C) ou para reduzir os custos e aumentar a eficiência interna. Pelos cálculos da Deloitte, varejo, bens de consumo e outros serviços, que movimentam mais de 35% do PIB, poderão ampliar a oferta de serviços financeiros, por meio de Embedded Finance, e capturar juntos receitas de R$ 23 bilhões por ano em até 5 anos.