Emissão e carregamento de cartões pré-pagos: guia completo

Cartão pré-pago marca própria: como funciona a emissão

Última atualização: 5 de julho de 2026

Principais lições deste artigo

  • Empresas não reguladas precisam de um parceiro com licença de Instituição de Pagamento (IP) para emitir cartões pré-pagos de marca própria sem obter autorização direta do Banco Central.

  • O modelo de infraestrutura transfere obrigações regulatórias, KYC/AML e integração com bandeiras para o parceiro, o que permite que a empresa foque em produto e experiência do cliente.

  • Cartões virtuais podem ser emitidos em segundos via API, enquanto cartões físicos exigem processos de embossing e logística gerenciados pelo parceiro.

  • Regras de controle de gastos, limites por MCC e recargas instantâneas via Pix podem ser configuradas em tempo real, o que garante flexibilidade e segurança operacional.

  • Ter a Celcoin como parceiro full-stack permite que fintechs, varejistas e ERPs lancem cartões pré-pagos de marca própria de forma rápida e em conformidade regulatória; saiba mais.

Passo 1 – Definição do modelo e escolha entre cartão físico e virtual

O que fazer: definir se o programa usará cartão físico, virtual ou ambos, e confirmar que o parceiro escolhido detém licença de IP autorizada pelo Banco Central, conforme o marco regulatório estabelecido pela Lei nº 12.865/2013.

Por que importa: a licença de IP habilita a emissão de moeda eletrônica dentro de um arranjo de pagamento aberto, como Visa. Nesse modelo, toda a autorização regulatória pertence ao parceiro. A empresa contratante opera sob esse guarda-chuva sem precisar obter licença própria.

Resultado esperado: ter o escopo do programa definido, o parceiro selecionado e o contrato de operação assinado.

Checklist:

  • Licença de IP do parceiro verificada no cadastro de instituições autorizadas do Banco Central, o que confirma que o parceiro está apto a operar.

  • Modalidade de cartão definida (físico, virtual ou híbrido), o que orienta processos de emissão, logística e experiência do usuário.

  • Volumetria estimada para adequação ao BIN compartilhado, já que o volume projetado influencia a configuração técnica e a capacidade do arranjo.

  • Acordo de nível de serviço (SLA) de disponibilidade de APIs documentado, o que estabelece garantias de uptime e suporte para a operação.

Conheça como a Celcoin atua como parceiro licenciado para emissão de cartões marca própria.

Passo 2 – Configuração de marca própria e integração com bandeira

O que fazer: definir a identidade visual do cartão, submeter a arte ao processo de aprovação da bandeira e configurar os parâmetros do BIN junto ao parceiro.

Por que importa: com o BIN já configurado pelo parceiro, a empresa consegue personalizar a identidade visual do cartão e garantir aceitação ampla na rede da bandeira. O parceiro mantém a conexão direta com a bandeira, o que elimina a necessidade de negociação independente.

Resultado esperado: ter o BIN configurado, a arte aprovada pela bandeira e o ambiente de sandbox disponível para testes.

A tabela a seguir detalha as principais etapas desse processo, seus responsáveis e os prazos típicos de execução:

Requisito

Responsável

Prazo típico

Aprovação de arte pela bandeira

Parceiro + empresa

5–15 dias úteis

Configuração de BIN compartilhado

Parceiro

1–3 dias úteis

Testes em sandbox

Time de tecnologia da empresa

5–10 dias úteis

Certificação em ambiente de produção

Parceiro + bandeira

3–7 dias úteis

Passo 3 – Fluxo de KYC/AML exigido pelo Banco Central

O que fazer: implementar o fluxo de onboarding de usuários com coleta de dados cadastrais, validação de identidade com biometria facial, liveness detection e checagem de documentos, além de triagem em listas restritivas como PEP, OFAC e listas do COAF.

Por que importa: no modelo via parceiro, os processos de KYC, antifraude e compliance ficam sob responsabilidade da infraestrutura do parceiro, não da empresa que lança o cartão. Mesmo assim, a empresa contratante precisa alinhar o fluxo de coleta de dados no front-end às exigências do parceiro e à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Resultado esperado: ter o fluxo de onboarding integrado via API, com aprovação automática para perfis de baixo risco e fila de revisão manual para casos sensíveis. Esse fluxo precisa estar em conformidade com as normas regulatórias aplicáveis.

Normas de referência: Resolução BCB nº 277/2022, que trata de prevenção à lavagem de dinheiro para IPs, e Resolução BCB nº 96/2021, que trata de política de segurança cibernética.

Passo 4 – Emissão do cartão (físico ou virtual)

O que fazer: acionar a API de emissão do parceiro após a aprovação do KYC, gerando o cartão virtual de forma instantânea ou disparando o processo de embossing para o cartão físico.

Por que importa: a emissão via API reduz processos manuais e permite disponibilizar o cartão virtual ao usuário em poucos segundos, diretamente no aplicativo da empresa. Para cartões físicos, o parceiro gerencia a personalização gráfica com embossing e a logística de entrega.

Resultado esperado: ter o cartão virtual ativo e disponível para tokenização em carteiras digitais, e ter o cartão físico com prazo de entrega configurado e rastreável.

Integrações envolvidas: API de emissão (POST /cards), API de ativação, API de tokenização para Apple Pay e Google Pay e webhook de status de entrega para cartões físicos.

Veja como a API da Celcoin permite emissão instantânea de cartões virtuais.

Passo 5 – Configuração de regras de controle de gastos e MCC em tempo real

O que fazer: definir políticas de autorização baseadas em MCC (Merchant Category Code), limites por transação, limites diários, bloqueio geográfico e restrições por tipo de estabelecimento, configurando essas regras via API de spend controls do parceiro.

Por que importa: cartões pré-pagos autorizam transações em tempo real com base no saldo disponível na conta. Essa característica permite controles precisos de gastos para a empresa emissora e se torna especialmente relevante para ERPs que emitem cartões corporativos e para varejistas que restringem o uso a categorias específicas.

Resultado esperado: ter o motor de autorização configurado com regras específicas do programa, com capacidade de atualização dinâmica via API, sem necessidade de reemissão do cartão.

Exemplos de políticas: as regras de controle variam conforme o caso de uso do programa. Para programas de benefícios corporativos, é comum bloquear MCCs relacionados a jogos de azar (7995) e saques em ATM, além de estabelecer limites diários, como R$ 500 para cartões de colaboradores. Programas de fidelidade de varejo costumam aplicar restrição geográfica a transações nacionais. Já cartões de frota corporativa tendem a autorizar transações apenas em MCCs de postos de combustível, o que garante uso exclusivo para abastecimento.

Passo 6 – Mecanismos de carregamento via Pix, boleto e depósito

O que fazer: configurar os canais de cash-in do cartão pré-pago, priorizar o Pix como método principal de recarga instantânea e definir limites operacionais compatíveis com o perfil de risco do programa.

Por que importa: o Pix é um sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil que permite transferências em tempo real, 24 horas por dia e 7 dias por semana, entre pessoas e empresas. Em cartões pré-pagos, essa característica faz com que o saldo fique disponível para uso imediatamente após a transferência, o que elimina a fricção de recargas com janelas de compensação.

Resultado esperado: ter a chave Pix vinculada à conta do cartão ativa, o boleto de recarga disponível como canal alternativo e o depósito via TED configurado para volumes maiores.

Fluxo de recarga instantânea via Pix:

  1. Usuário inicia a transferência via Pix para a chave vinculada ao cartão.

  2. Parceiro recebe a notificação do SPB em tempo real.

  3. API de crédito de saldo atualiza o ledger da conta do cartão.

  4. Webhook notifica o aplicativo da empresa sobre o novo saldo disponível.

  5. Usuário recebe confirmação e pode usar o cartão imediatamente.

Esse fluxo opera dentro dos parâmetros regulatórios estabelecidos pelo Banco Central. Os limites de transação via Pix seguem as regras operacionais do Pix definidas pelo Banco Central, com limites noturnos diferenciados e possibilidade de ajuste pelo usuário dentro dos parâmetros do programa.

Passo 7 – Liquidação e relatórios regulatórios automatizados

O que fazer: garantir que o parceiro realize a liquidação diária das transações e gere de forma automática os relatórios obrigatórios para o Banco Central, incluindo DIMP, CADOCs e CCS.

Por que importa: IPs autorizadas pelo Banco Central têm obrigações acessórias de reporte periódico. No modelo via parceiro, esse provedor assume essas obrigações, mas a empresa contratante precisa garantir que os dados transacionais fluam corretamente para os sistemas do parceiro, sem lacunas que comprometam a integridade dos relatórios.

Resultado esperado: ter a liquidação D+1 configurada, os relatórios regulatórios gerados e enviados automaticamente pelo parceiro e um dashboard de conciliação disponível para o time financeiro da empresa.

Obrigações acessórias geridas pelo parceiro: DIMP (Documento de Informações de Meios de Pagamento), CADOCs (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional), CCS (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro) e relatórios de prevenção à lavagem de dinheiro para o COAF.

Pontos de atenção e boas práticas

Erros comuns de integração: deixar de mapear todos os webhooks de status transacional antes de ir a produção gera inconsistências no saldo exibido ao usuário. Ignorar o tratamento de timeouts na API de autorização aumenta o risco de dupla cobrança em cenários de instabilidade de rede.

Riscos de compliance: mesmo sem licença própria, a empresa contratante precisa cumprir obrigações contratuais com o parceiro, regras da LGPD, normas de publicidade e políticas básicas de compliance. Comunicações de marketing que prometem rendimentos ou crédito sem respaldo regulatório expõem a empresa a sanções.

Dependências entre times: times de produto, tecnologia e compliance precisam alinhar o fluxo de KYC antes do início da integração técnica. Alterações tardias no onboarding impactam diretamente os prazos de certificação com a bandeira.

Boa prática de segurança: implementar autenticação forte com MFA no aplicativo e configurar alertas de transações atípicas via webhooks reduz exposição a fraudes e facilita a resposta a incidentes.

Critérios de sucesso

Os indicadores a seguir estabelecem as métricas essenciais para avaliar se o programa de cartão pré-pago está operando dentro dos padrões esperados de performance técnica e operacional:

Indicador

Meta referência

Como medir

Tempo de implementação (do contrato ao go-live)

1 a 12 semanas

Comparar a data de contrato com a data da primeira transação em produção.

Disponibilidade transacional

≥ 99,9%

Acompanhar o monitoramento de uptime da API de autorização.

Taxa de aprovação no KYC automatizado

≥ 80% sem revisão manual

Analisar o relatório de onboarding do provedor BaaS.

Tempo de crédito de saldo via Pix

≤ 5 segundos

Comparar o timestamp do webhook de cash-in com a atualização do saldo.

A Celcoin como parceiro full-stack para emissão de cartão pré-pago marca própria

A Celcoin opera com licença de Instituição de Pagamento e oferece infraestrutura tecnológica e regulatória para que fintechs, varejistas e ERPs emitam cartões pré-pagos com marca própria sem precisar construir estrutura regulatória do zero. A solução inclui integração com bandeira Visa, antifraude, embossing, gestão de disputas, APIs para Pix, relatórios regulatórios automatizados e KYC/AML gerido pelo próprio parceiro. A Celcoin medeia mais de R$ 30 bilhões em transações mensalmente, atendendo mais de 6 mil clientes. A tabela a seguir resume as principais funcionalidades da plataforma Celcoin e os benefícios diretos que cada uma oferece para sua operação:

Funcionalidade da Celcoin

Benefício para sua empresa

APIs modulares

Integrações mais rápidas, com redução de custos e prazos de desenvolvimento.

Experiência e suporte ao desenvolvedor

Documentação, SDKs e sandboxes que reduzem ciclos de integração e custos de engenharia.

Capacidade de lançamento rápido

Módulos pré-construídos e entrega via SaaS aceleram lançamentos e melhoram o tempo para geração de receita e competitividade.

Distribuição white-label e embutida (embedded)

Suporte a produtos financeiros com marca própria.

Escalabilidade com confiabilidade

Solução com alta disponibilidade e escalável na nuvem que mantém serviços funcionando mesmo com altos volumes e protege sua receita.

Cobertura de diversas possibilidades de pagamentos, incluindo crédito

Oferecer pagamentos e emissão de crédito aumenta conversão, ARPU e fidelização.

Acesso a dados e personalização

Dados e análises via Open Finance permitem ofertas personalizadas e melhoram conversão e retenção.

Compliance e conformidade como princípio

KYC, AML e relatórios integrados reduzem risco regulatório e aceleram ciclos de vendas.

Prevenção de fraude e controles de risco

Monitoramento baseado em IA e autenticação robusta reduzem estornos, perdas e exposição regulatória.

Força do ecossistema de parceiros da Celcoin

Parcerias e integrações com bancos, redes e fintechs garantem melhor cobertura, recursos e velocidade de entrada no mercado.

A Celcoin não oferece empréstimo para consumidores. A Celcoin fornece a infraestrutura tecnológica para que empresas consigam ofertar produtos de crédito aos seus clientes.

Próximos passos

Após o go-live do cartão pré-pago, os caminhos naturais de evolução incluem migrar para cartão pós-pago com limite de crédito gerido pelo parceiro, automatizar por completo os relatórios regulatórios com integração direta à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) e aproveitar o Open Finance para enriquecer o perfil de risco dos usuários e personalizar limites e ofertas. Empresas que atingem volume transacional relevante podem iniciar o processo de obtenção de licença de IP própria junto ao Banco Central e migrar para o Core Banking sem trocar de infraestrutura tecnológica.

Explore os caminhos de evolução do seu programa de cartões com a Celcoin.

FAQ

Quanto tempo leva para lançar um cartão pré-pago de marca própria via BaaS?

O prazo varia conforme a complexidade da operação e a disponibilidade do time técnico da empresa contratante. Implementações mais simples, com fluxo de KYC padrão e cartão virtual, podem ser concluídas em uma a duas semanas. Programas que incluem cartão físico com embossing personalizado, integrações com sistemas legados e fluxos de onboarding customizados costumam levar entre seis e doze semanas. A qualidade da documentação de APIs do provedor BaaS e a maturidade técnica do time de integração influenciam diretamente esse prazo.

É necessário obter alguma licença do Banco Central para emitir cartões pré-pagos via BaaS?

Não. No modelo BaaS, a licença de Instituição de Pagamento pertence ao provedor de infraestrutura, conforme explicado no Passo 1. A empresa contratante, seja uma fintech, varejista ou ERP, opera sob o guarda-chuva regulatório do provedor. Mesmo assim, a empresa precisa cumprir obrigações contratuais com o provedor, regras da LGPD e normas de publicidade aplicáveis ao setor financeiro.

Como funciona a migração de outro provedor de infraestrutura para a Celcoin?

A migração é viável e conta com suporte de uma equipe técnica dedicada da Celcoin. As etapas envolvem mapear a base de cartões ativos, realizar a portabilidade de dados cadastrais e transacionais, reconfigurar webhooks e APIs e executar testes em ambiente de homologação antes da virada de produção. O prazo depende do volume de cartões ativos, da complexidade dos fluxos existentes e da disponibilidade do time interno para executar a migração. Operações menores podem ser migradas em poucos dias, enquanto bases maiores com integrações complexas podem demandar até três meses.

Quais são os custos envolvidos na operação de um programa de cartão pré-pago via BaaS?

O modelo de remuneração típico em BaaS é centrado em transações, com tarifas por emissão de cartão, por transação autorizada, por recarga e por relatórios regulatórios. Em geral, não existe um custo de setup inicial elevado, o que reduz a barreira de entrada para empresas em estágio inicial. A empresa emissora também captura receita de intercâmbio sobre as transações realizadas com o cartão, o que pode compensar parte dos custos operacionais do programa. O modelo financeiro definitivo depende do volume transacional projetado e das condições negociadas com o provedor BaaS.