Ultima atualizacao: 11 de junho de 2026
Empresas que desejam oferecer serviços financeiros no Brasil precisam escolher entre dois caminhos principais: operar via BaaS usando a licença de um provedor autorizado ou obter licença própria e implementar um Core Banking completo. Cada modelo tem prazos, custos e responsabilidades regulatórias diferentes, que impactam o tempo de lançamento e a escalabilidade do negócio.
Este artigo apresenta nove passos práticos para comparar BaaS e Core Banking, entender o impacto das regras recentes do Banco Central e planejar uma possível migração de um modelo para o outro usando a mesma base tecnológica.
Principais lições deste artigo
- BaaS permite que empresas ofereçam serviços financeiros em 30 a 90 dias usando a licença de um provedor autorizado, sem precisar de autorização própria do Banco Central.
- Ter um Core Banking próprio exige licença do Bacen, capital mínimo e estrutura de governança, o que pode levar vários meses até o go-to-market.
- A Resolução Conjunta 16/2025 define regras específicas para BaaS, incluindo proibição de contas bolsão e responsabilidade indivisível do provedor licenciado.
- Migrar de BaaS para Core Banking mantendo a mesma base tecnológica reduz o prazo para algumas semanas ou poucos meses, sem necessidade de refazer integrações.
- Para acelerar a jornada de embedded finance e migrar para licença própria sem trocar de plataforma, vale conhecer a solução completa da Celcoin.
Passo 1 – Diferença regulatória entre os modelos
A Resolução Conjunta nº 16/2025 do Banco Central e do CMN estabelece o primeiro arcabouço regulatório específico para BaaS no Brasil. Essa norma define o escopo autorizado, que inclui abertura de contas, credenciamento e operações de crédito, determina que a responsabilidade perante o regulador é indivisível do provedor detentor da licença, proíbe contas bolsão e estipula um prazo para adequação.
No modelo BaaS, a empresa tomadora opera dentro de políticas e limites definidos contratualmente com o provedor. A responsabilidade regulatória perante o Bacen permanece com o provedor autorizado, enquanto a tomadora continua sujeita à LGPD, ao Código de Defesa do Consumidor e a obrigações de KYC e PLD-FT. No Core Banking próprio, toda a estrutura de governança, auditoria, gestão de riscos e relatórios regulatórios recai integralmente sobre a empresa licenciada.
A Resolução CMN 5.131/2024 atualiza as regras de organização e funcionamento das cooperativas de crédito, incluindo o compartilhamento de recursos e riscos entre cooperativas do mesmo sistema. Esse contexto reforça a tendência de modelos de compartilhamento de infraestrutura, tanto em BaaS quanto em estruturas próprias.
Passo 2 – Tempo de implementação de BaaS
O modelo BaaS oferece o caminho mais rápido para ir ao mercado com serviços financeiros. Com infraestrutura adequada, a implementação via BaaS pode ser concluída em 30 a 60 dias, incluindo integração técnica, testes de segurança, conformidade regulatória e treinamento de equipe. Em cenários de maior complexidade, esse prazo pode chegar a 90 dias, ainda sem necessidade de capital regulatório próprio.
O principal fator de aceleração é que a camada regulatória, as integrações de pagamento e a segurança já estão resolvidas pelo provedor. Isso permite que o time de produto foque em lógica de negócio, experiência do usuário e diferenciação de oferta, em vez de lidar com a base regulatória e operacional.
Passo 3 – Tempo de implementação de Core Banking próprio
O Banco Central tem até 12 meses para avaliar pedidos de autorização para constituição e funcionamento de novas instituições financeiras. Esse processo exige estrutura obrigatória de governança, compliance, auditoria interna e controles de PLD-FT, além de capital mínimo para Instituição de Pagamento conforme as normas do Banco Central.
O modelo próprio exige que a empresa gerencie internamente licenças, KYC, processos de AML e auditorias externas. Também exige certificação PCI-DSS, conformidade com LGPD e integrações com os sistemas de liquidação do Pix. Somando o processo de autorização ao desenvolvimento e homologação da infraestrutura tecnológica, o prazo total até o go-to-market tende a ser de vários meses.
Passo 4 – Tabela comparativa de prazos
A comparação direta de prazos ajuda a visualizar o impacto de cada modelo na estratégia de lançamento e crescimento.
| Modelo | Prazo médio | Fase regulatória | Complexidade |
|---|---|---|---|
| BaaS (licença do provedor) | 30 a 90 dias | Sem autorização Bacen própria, adequação à Res. Conjunta 16/2025 | Baixa a média |
| Core Banking (licença própria) | Vários meses | Autorização Bacen obrigatória, capital mínimo e governança plena | Alta |
| Migração BaaS → Core Banking (mesma base tecnológica) | Algumas semanas a poucos meses | Integração da licença própria à infraestrutura existente | Baixa a média |
A tabela mostra que o BaaS acelera o início da operação, enquanto o Core Banking próprio demanda mais tempo. A migração sobre a mesma base tecnológica surge como um meio-termo, que preserva integrações e reduz o esforço de transição.
Passo 5 – Quando e como migrar de BaaS para Core Banking mantendo a mesma base tecnológica
A migração de BaaS para Core Banking próprio faz sentido quando a empresa já possui ou está em processo de obtenção de licença de Instituição de Pagamento ou Instituição Financeira. Esse movimento também se justifica quando o volume transacional passa a sustentar a internalização da responsabilidade regulatória para ampliar margens e controle operacional.
Quando a migração ocorre dentro da mesma infraestrutura tecnológica, o prazo é reduzido. Empresas que já operam via BaaS da Celcoin podem integrar sua própria licença ao Core Banking da Celcoin em algumas semanas a poucos meses, dependendo da complexidade da estrutura existente. Não há necessidade de reconstruir integrações, trocar APIs ou requalificar equipes técnicas.
Três fatores indicam o momento certo para migrar. Primeiro, quando o volume transacional mensal torna a licença própria mais econômica que as taxas do provedor BaaS. Segundo, quando a empresa precisa de controle direto sobre relatórios regulatórios, como CCS, CADOC e COSIF, para atender exigências de auditoria ou investidores. Terceiro, quando a estratégia de produto exige customizações que ultrapassam os limites contratuais do modelo BaaS, como políticas de crédito proprietárias ou fluxos de tesouraria específicos.
A Celcoin opera com um portfólio completo de licenças e tecnologia proprietária, oferecendo APIs modulares para que empresas possam prover serviços bancários completos, de contas digitais e cartões até liquidação, compliance e relatórios regulatórios. Fintechs, bancos digitais, ERPs e grandes varejistas podem iniciar utilizando as licenças da Celcoin no modelo BaaS e, posteriormente, migrar para suas próprias licenças com o Core Banking, mantendo a mesma base tecnológica, segurança e suporte.
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Funcionalidade da Celcoin |
Benefício para sua empresa |
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APIs modulares |
Integrações mais rápidas, com redução de custos e prazos de desenvolvimento. |
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Experiência e suporte ao desenvolvedor |
Documentação, SDKs e sandboxes que reduzem ciclos de integração e esforço de engenharia. |
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Capacidade de lançamento rápido |
Módulos pré-construídos e entrega via SaaS aceleram lançamentos, melhorando o tempo para geração de receita. |
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Distribuição white-label e embutida (embedded) |
Suporte a produtos financeiros com marca própria. |
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Escalabilidade com confiabilidade |
Solução com alta disponibilidade e escalável na nuvem mantém serviços funcionando mesmo com altos volumes. |
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Cobertura de diversas possibilidades de pagamentos, incluindo crédito |
Oferecer pagamentos e emissão de crédito aumenta conversão, receita média por usuário e fidelização. |
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Acesso a dados e personalização |
Dados e análises via Open Finance permitem ofertas personalizadas, com impacto direto em conversão e retenção. |
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Compliance e conformidade como princípio |
KYC, AML e relatórios integrados reduzem risco regulatório e aceleram ciclos de vendas. |
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Prevenção de fraude e controles de risco |
Monitoramento baseado em IA e autenticação robusta reduzem estornos, perdas e exposição regulatória. |
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Força do ecossistema de parceiros da Celcoin |
Parcerias e integrações com bancos, redes e fintechs ampliam cobertura, recursos e velocidade de entrada no mercado. |
Veja como a Celcoin oferece BaaS e Core Banking na mesma infraestrutura
Passo 6 – Impacto do Open Finance e das regras do CMN 5.131/2024
A Resolução CMN 5.131/2024 atualiza as regras de organização e funcionamento das cooperativas de crédito e reforça a necessidade de estruturas sólidas de compartilhamento de recursos e riscos. Em ambos os modelos, BaaS e Core Banking próprio, as empresas devem garantir infraestrutura para acesso e transmissão de dados financeiros com consentimento do usuário, conectividade com as APIs padronizadas do Banco Central e aderência ao Guia UX do Bacen para jornadas de consentimento.
No modelo BaaS, o provedor autorizado é responsável pela infraestrutura de Open Finance perante o regulador, enquanto a tomadora deve garantir que seus fluxos de produto respeitem as políticas de consentimento e proteção de dados. No Core Banking próprio, a empresa assume diretamente todas as obrigações de transmissão, recepção e gestão de dados financeiros, incluindo relatórios periódicos ao Bacen.
Passo 7 – Checklist de obrigações regulatórias
As principais obrigações que incidem sobre operações financeiras no Brasil, em ambos os modelos, incluem:
- KYC (Know Your Customer): identificação e qualificação de clientes pessoas físicas e jurídicas, com validação de documentos e biometria.
- PLD-FT (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo): monitoramento de transações, comunicação de operações suspeitas ao COAF e manutenção de registros por prazo mínimo legal.
- CCS (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional): envio de informações de titularidade de contas ao Banco Central.
- CADOC: documentos de controle e informações periódicas exigidos pelo Bacen para instituições autorizadas.
- COSIF: plano contábil das instituições do Sistema Financeiro Nacional, obrigatório para IPs e IFs.
- DIMP: declaração de informações de meios de pagamento à Receita Federal.
- LGPD: conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados em todos os fluxos de coleta, armazenamento e compartilhamento de dados de usuários.
- Open Finance: infraestrutura de APIs para compartilhamento de dados com consentimento, conforme padrões do Bacen.
- Segregação de funções críticas: aprovação de crédito e auditoria realizadas por áreas separadas, conforme exigência da Resolução Conjunta 16/2025.
- Relatórios BacenJud e SCR: informações sobre operações de crédito e bloqueios judiciais, obrigatórias para instituições com carteira de crédito ativa.
Passo 8 – Erros comuns e pontos de atenção na implementação
Alguns erros recorrentes aumentam o risco regulatório e atrasam projetos de BaaS ou Core Banking próprio.
- Subestimar o prazo de adequação à Resolução Conjunta 16/2025, o que mantém operações fora dos controles definidos após o prazo estipulado e expõe a empresa a sanções do Bacen.
- Operar com contas bolsão, estrutura proibida pela regulação vigente, que mistura patrimônio do cliente com o do provedor.
- Ignorar obrigações da tomadora no modelo BaaS, já que mesmo sem licença própria, a empresa tomadora responde por LGPD, CDC e falhas operacionais perante o consumidor final.
- Iniciar processo de autorização Bacen sem capital mínimo estruturado, o que inviabiliza o pedido e ainda enfrenta o prazo regulatório de até 12 meses mencionado no Passo 3.
- Trocar de infraestrutura tecnológica ao migrar de BaaS para Core Banking, o que elimina o ganho de tempo da migração sobre a mesma base e pode reintroduzir prazos de implementação do zero.
- Negligenciar a atualização contínua das normas do Bacen, já que o compliance é um dos principais gargalos de time-to-market no Brasil e exige monitoramento permanente.
Passo 9 – Critérios de sucesso e indicadores de validação
Alguns indicadores ajudam a avaliar se a estratégia de BaaS ou Core Banking próprio está funcionando.
- Time-to-market efetivo: comparação entre a data de go-to-market e o prazo contratado com o provedor de infraestrutura.
- Taxa de aprovação no onboarding: percentual de clientes aprovados no KYC sem fricção excessiva.
- Índice de conformidade regulatória: ausência de pendências em relatórios CCS, CADOC e DIMP nos prazos exigidos pelo Bacen.
- Disponibilidade transacional: uptime acima de 99,9% para operações críticas de Pix, TED e cartões.
- Custo por transação: métrica de eficiência que orienta o momento de migração de BaaS para Core Banking próprio.
- Aderência ao Open Finance: percentual de jornadas de consentimento concluídas com sucesso, conforme Guia UX do Bacen.
FAQ
Qual é a diferença prática entre BaaS e Core Banking no Brasil?
No BaaS, a empresa opera serviços financeiros utilizando a licença regulatória de um provedor autorizado pelo Banco Central. A responsabilidade perante o regulador é do provedor, e a empresa tomadora foca em produto e experiência do cliente. No Core Banking próprio, a empresa detém sua própria licença de Instituição de Pagamento ou Instituição Financeira e assume integralmente a governança, os relatórios regulatórios e a gestão de riscos. A Celcoin oferece os dois modelos na mesma infraestrutura tecnológica, o que permite que a empresa evolua de um para o outro sem trocar de plataforma.
Quanto tempo leva para migrar de BaaS para Core Banking mantendo a mesma infraestrutura?
Quando a migração ocorre dentro da mesma base tecnológica, o prazo pode variar de algumas semanas a poucos meses. O fator determinante é a complexidade da estrutura existente e a disponibilidade da equipe para executar a integração da licença própria à infraestrutura já em operação. Empresas que já utilizam o banking da Celcoin no modelo BaaS não precisam reconstruir integrações de APIs, requalificar equipes técnicas ou passar por novos processos de homologação de segurança.
O que muda com a Resolução Conjunta 16/2025 para quem opera via BaaS?
A Resolução Conjunta 16/2025 estabelece o primeiro arcabouço regulatório específico para BaaS no Brasil. Essa norma define os serviços autorizados, que incluem abertura de contas, credenciamento e operações de crédito, proíbe contas bolsão, determina que a responsabilidade perante o Bacen é indivisível do provedor licenciado e exige que todos os contratos e operações estejam adequados até o prazo definido. A partir desse prazo, operações fora dos controles definidos expõem tanto o provedor quanto a tomadora a sanções administrativas do Banco Central.
Quais relatórios regulatórios são obrigatórios para quem opera com licença própria no Brasil?
Instituições de Pagamento e Instituições Financeiras autorizadas pelo Bacen devem enviar periodicamente CCS, CADOCs, COSIF, DIMP, SCR e relatórios BacenJud para operações com bloqueios judiciais. Além disso, são obrigatórios os controles de PLD-FT com comunicação ao COAF, conformidade com LGPD e infraestrutura de Open Finance conforme padrões do Bacen. O Core Banking da Celcoin automatiza a geração e o envio de todos esses relatórios, com conexão direta à Rede do Sistema Financeiro Nacional e ao Sistema de Pagamentos Brasileiro.
Quando faz sentido sair do BaaS e obter licença própria?
A migração para licença própria é indicada quando o volume transacional mensal torna o custo por transação no modelo BaaS superior ao custo de manter estrutura regulatória própria. Esse movimento também é adequado quando a estratégia de produto exige customizações além dos limites contratuais do provedor ou quando a empresa deseja controle total sobre relatórios regulatórios, tesouraria e gestão de riscos sistêmicos. O processo de autorização pode levar até 12 meses, conforme explicado no Passo 3, o que exige planejamento antes de atingir o ponto de virada operacional.
Conclusão
A escolha entre BaaS e Core Banking próprio no Brasil depende do estágio regulatório da empresa, do volume transacional e da estratégia de produto. BaaS permite go-to-market em 30 a 90 dias com custo inicial reduzido, operando sob a licença do provedor e com responsabilidade regulatória concentrada nesse parceiro. Core Banking próprio oferece controle total, mas exige processo de autorização e capital mínimo estruturado que pode levar vários meses. A migração entre os dois modelos, quando feita dentro da mesma infraestrutura tecnológica, pode ser realizada em poucas semanas, o que reduz o risco de descontinuidade operacional. A Celcoin medeia mais de R$ 30 bilhões em transações mensalmente e atende mais de 6 mil clientes em toda essa jornada, do BaaS ao Core Banking, sem troca de plataforma.
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